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Teste Fiat Toro Volcano MHEV 2027: como anda a primeira picape eletrificada nacional

Дата публикации: 07-08-2026 16:11:49

Eletrificação chegou à picape, mas passa quase despercebida ao volante

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A chegada da Fiat Toro híbrida-leve marca um capítulo importante na indústria automotiva brasileira. Dez anos depois de inaugurar (com a Renault Oroch) o segmento das picapes intermediárias produzidas no País, a Toro passa a oferecer um sistema híbrido-leve de 48 volts e se torna a primeira picape nacional eletrificada vendida em larga escala.

O Motor1.com Brasil testou a versão Volcano, primeira da gama flex na linha 2027 disponível com a tecnologia. Ela custa a partir de R$ 197.490, colocando a Toro MHEV em disputa inclusive contra SUVs. A seguir, contamos se o novo conjunto realmente melhora consumo, desempenho e dirigibilidade — ou se a mudança ficou só na ficha técnica.

Galeria: Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027 Receita da casa

A receita básica continua conhecida. A Toro combina cabine de SUV, caçamba generosa e dimensões mais amigáveis ao uso urbano do que as picapes médias tradicionais. O que muda agora é a presença do sistema BSG (sigla de Belt Starter Generator, que substitui o motor de partida e o alternador) de 48 volts associado ao motor 1.3 turbo flex.

Trata-se do mesmo conjunto já presente nos Jeep Renegade e Commander. Com ele, a Fiat anuncia até 12% de redução de consumo no trânsito urbano e respostas mais rápidas ao acelerador. Na prática, a percepção é mais sutil que isso.

O híbrido mais robusto da Stellantis nacional

A grande novidade da linha 2027 é justamente o sistema MHEV. Ele substitui o alternador convencional por um motor-gerador acionado por correia, responsável por funcionar como motor de partida, regenerar energia nas desacelerações e auxiliar o motor a combustão em acelerações e retomadas ao estar ligado, por correia, ao motor. Há ainda uma bateria adicional de íons de lítio com 0,85 kWh instalada sob o assoalho.

Trata-se de um sistema consideravelmente mais robusto do que os híbridos-leves de 12 volts usados em compactos da própria Stellantis. O motor elétrico entrega até 15 cv e 6,6 kgfm, atuando principalmente para preencher os buracos de torque do 1.3 turbo em baixa rotação. A Fiat fala em até 6,7 kgfm de assistência elétrica instantânea, e é justamente nesse ponto que a Toro MHEV mostra sua principal evolução.

Nos últimos anos, o motor T270 passou por sucessivas recalibrações para atender normas de emissões mais rigorosas. Em vários modelos do grupo, isso resultou em respostas menos imediatas e trocas de marcha mais frequentes. Na Toro MHEV, o sistema elétrico ameniza esse comportamento. O câmbio automático de seis marchas consegue segurar marchas mais altas por mais tempo e reduz menos em acelerações parciais, deixando a condução mais suave no trânsito urbano.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Consumo: ganho existe, mas é pequeno

A Fiat divulga consumo urbano de 10,5 km/l com gasolina para a Toro MHEV, contra 9,4 km/l da versão sem eletrificação. Em nosso teste, a picape registrou 10,4 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, ambos com gasolina, ar-condicionado ligado e sistema start-stop ativo. O resultado urbano praticamente repete o valor homologado, enquanto o rodoviário ficou acima do esperado para o conjunto.

Em termos absolutos, o ganho não transforma a Toro em referência de eficiência. A autonomia em uso rodoviário melhora, mas não a ponto de alterar radicalmente o custo de utilização da picape. É um avanço incremental, típico de um híbrido leve, mais para atender novas normas de emissões do que aliviar o bolso do comprador.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Ao volante, a eletrificação quase desaparece

Quem espera sensação de condução semelhante à de um híbrido pleno dificilmente encontrará isso aqui. A Toro MHEV não roda em modo elétrico em nenhum momento e não há silêncio adicional em manobras ou arrancadas. O motorista percebe a eletrificação basicamente pelos gráficos do quadro de instrumentos, que mostram recuperação de energia nas frenagens e desacelerações.

O comportamento geral continua muito próximo ao da Toro convencional. O atraso do turbo permanece evidente em saídas de baixa velocidade, especialmente em aclives e retomadas suaves. A picape demora um pouco a ganhar giro e entregar seu melhor torque. Quando entra na faixa ideal de funcionamento, porém, acelera com mais disposição e mantém bom ritmo.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Nos testes de desempenho do Motor1.com Brasil, a Toro Volcano MHEV acelerou de 0 a 100 km/h em 10 segundos, marca coerente com o conjunto de 176 cv e tração dianteira, e também com o peso da picape de 1,7 tonelada. As retomadas foram mais interessantes: 40 a 100 km/h em 7,5 s e 80 a 120 km/h em 6,5 s, mostrando boa elasticidade em velocidade de cruzeiro.

A 100 km/h, o motor gira a apenas 1.800 rpm, enquanto a 120 km/h trabalha em 2.100 rpm, o que ajuda no conforto acústico em viagens longas.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Poucas diferenças com e sem o sistema MHEV

Comparando os testes do Motor1.com Brasil das duas versões, fica claro que a eletrificação não mudou a personalidade da Toro. As diferenças de desempenho são praticamente imperceptíveis: a Volcano T270 convencional acelerou de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos, enquanto a MHEV cumpriu a mesma prova em 10,0 segundos. Veja a tabela completa abaixo.

  Fiat Toro T270 2026 Fiat Toro T270 MHEV 2027
0 a 60 km/h 4,6 s 4,7 s
0 a 80 km/h 6,8 s 6,9 s
0 a 100 km/h 9,9 s 10 s
201 metros 10,9 s a 105,8 km/h 10,9 s a 105,7 km/h
40 a 100 km/h 7,4 s 7,5 s
80 a 120 km/h 6,5 s 6,5 s
Consumo Cidade 9,3 km/litro 10,4 km/litro
Consumo Estrada 14,3 km/litro 14,1 km/litro

As retomadas também ficaram praticamente empatadas, com 7,4 s contra 7,5 s na aceleração de 40 a 100 km/h e 6,5 s em ambas na prova de 80 a 120 km/h. Na prática, o sistema de 48 volts não foi desenvolvido para tornar a picape mais rápida, mas para suavizar as respostas do conjunto mecânico e melhorar sua eficiência energética.

É justamente no consumo que aparece o maior impacto da nova tecnologia. Nos testes do Motor1.com Brasil, a Toro Volcano T270 registrou 9,3 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada com gasolina. Já a Volcano MHEV passou para 10,4 km/l no ciclo urbano, enquanto a média rodoviária ficou em 14,1 km/l. Ou seja, o ganho acontece principalmente no trânsito urbano, onde o sistema híbrido leve trabalha em conjunto com o Start&Stop, que desliga automaticamente o motor a cada parada.

A combinação entre o motor-gerador de 48 volts, a recuperação de energia nas desacelerações e o funcionamento constante do Start&Stop explica a melhora de mais de 11% no consumo na cidade, enquanto na estrada, onde essas tecnologias atuam com muito menos frequência, o resultado permaneceu praticamente inalterado.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Suspensão continua sendo um dos pontos fortes

Se a eletrificação pouco altera o caráter da Toro, a suspensão preserva uma das qualidades que fizeram a picape conquistar mercado desde 2016. A calibração continua muito equilibrada entre conforto e controle de carroceria, absorvendo bem irregularidades urbanas e estradas de terra leves.

A Volcano MHEV tem tração apenas dianteira, mas traz o sistema TC+, que simula o bloqueio do diferencial para melhorar a tração em pisos escorregadios. Não substitui um 4x4 de verdade, mas atende ao perfil de quem usa a picape majoritariamente no asfalto e encara eventualmente estradas de terra, sítios ou atividades de lazer.

As versões diesel seguem exclusivas para quem precisa de tração integral e maior capacidade de reboque. Faz sentido: o foco do conjunto MHEV está claramente na redução de consumo e no uso urbano.

Cidade ainda expõe limitações

Apesar das dimensões mais amigáveis do que as de uma picape média, a Toro continua exigindo atenção em manobras. O raio de giro limitado obriga correções frequentes em garagens apertadas e vagas estreitas. A câmera de ré também destoa do preço do carro pela qualidade apenas razoável das imagens. Esse é um ponto que pesa justamente para o público urbano, principal alvo da versão MHEV. Em uso diário, a percepção de porte ainda é maior do que em um SUV médio tradicional.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Cabine simples, mas bem resolvida

A Toro nunca teve pretensão de luxo. O interior da Volcano MHEV usa plásticos rígidos em grande parte do painel, porém a montagem transmite solidez e ausência de ruídos estruturais. Curiosamente, o acabamento desta versão me agradou mais do que o da Ranch diesel, que utiliza detalhes que imitam madeira.

O destaque continua sendo o espaço interno. Cinco adultos viajam com conforto semelhante ao de um SUV médio, enquanto a caçamba mantém boa capacidade de carga para o segmento. O pacote de equipamentos também é compatível com a faixa de preço, incluindo central multimídia de 10,1”, painel digital de 7”, ar digital de duas zonas, carregador por indução, chave presencial e pacote ADAS com frenagem autônoma e alerta de faixa.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Dez anos depois, a fórmula segue atual

É impossível analisar a Toro MHEV sem lembrar o impacto que a picape teve em 2016. Ela praticamente criou um subsegmento entre compactas e médias e forçou rivais a reagirem. Ford veio com a Maverick, a própria Stellantis lançou a RAM Rampage, a Chevrolet ampliou a proposta da Montana, a Renault prepara a Niagara e a Volkswagen está próxima de estrear a futura Tukan.

Nesse contexto, a eletrificação ajuda a Toro a manter certo pioneirismo tecnológico. Hoje ela não tem concorrente direto nacional com sistema híbrido leve. A comparação mais próxima é a Ford Maverick Hybrid, que usa sistema híbrido pleno e pode rodar em modo elétrico, mas custa R$ 239.900, mais de R$ 42 mil acima da Volcano MHEV de R$ 197.490.

O cenário, porém, tende a mudar rapidamente. A futura BYD Mako chegará ao Brasil no segundo semestre com produção nacional e conjunto híbrido plug-in flex derivado do sistema DM-i. Ela promete nível de eletrificação muito superior, possibilidade de rodar em modo elétrico e preços agressivos.

A vantagem da Toro está em outro lugar: rede consolidada, histórico de mercado, ampla oferta de peças e forte liquidez no mercado de usados. Em um segmento ainda em formação, esses fatores continuam pesando bastante na decisão de compra.

Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Vale a pena?

A Fiat Toro Volcano MHEV melhora um aspecto que vinha incomodando nos modelos recentes com motor T270: a suavidade de condução em baixa velocidade. O sistema de 48 volts preenche parte das lacunas de torque e torna o conjunto mais agradável no uso cotidiano. O consumo real confirmou apenas parcialmente a promessa da fábrica e não representa uma revolução de eficiência.

No fim das contas, a Toro MHEV continua sendo, antes de tudo, uma Toro. Ela oferece cabine espaçosa, boa caçamba, suspensão confortável e porte adequado para quem roda mais na cidade do que no campo. A eletrificação está presente, mas de forma discreta demais para mudar a personalidade da picape ou convencer o motorista de que está dirigindo algo substancialmente diferente.

O que você pensa sobre isso?

Ainda assim, há mérito em colocar no mercado a primeira picape nacional eletrificada enquanto muitas marcas tradicionais seguem sem produto equivalente. Para quem já considera uma Toro flex bem equipada, a Volcano MHEV faz sentido pelo refinamento adicional ao dirigir. Só não espere dela a experiência típica de um híbrido — e muito menos de um elétrico.

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa

  • Conjunto de suspensão continua entre os melhores
  • Cabine espaçosa e caçamba generosa
  • Sistema de 48 V melhora a suavidade nas acelerações
  • Eletrificação é pouco perceptível ao volante
  • Ganhos de consumo são discretos
  • Turbo ainda apresenta atraso em baixas rotações

Veja também

Fiat Toro T270 MHEV

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.332 cm3, comando simples com variador no escape e MultiAir na admissão, injeção direta, turbo, flex

Potência e torque 176 cv a 5.750 rpm (G) ou 5.250 rpm (E); 27,5 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão câmbio automático com 6 marchas, tração dianteira

Suspensão McPherson na dianteira, multilink na traseira; rodas de 18" pneus 225/60

Comprimento e entre-eixos 4.945 mm; 2.800 mm

Largura 1.844 mm

Altura 1.686 mm

Capacidade de carga 670 kg

Capacidades caçamba: 937 litros; tanque: 55 litros

Peso 1.722 kg em ordem de marcha

Preço como testado R$ 197.490 (Volcano) + R$ 3.690 (pacote Volcano Tech)

Aceleração 0 a 60 km/h: 4,7 s; 0 a 80 km/h: 6,9 s; 0 a 100 km/h: 10,0 s em 165,2 m; 201 metros: 10,9 s a 105,6 km/h

Retomada 40 a 100 km/h (em D): 7,5 s em 154,5 m; 80 a 120 km/h (em D): 6,5 s em 181,4 m

Consumo de combustível cidade: 10,4 km/litro; estrada: 14,1 km/litro (gasolina)

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- Equipe do Motor1.com

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